|
Claro que a razão desta pergunta
é, em certo sentido, tão somente tomar
o “texto por pretexto” para suscitar uma
reflexão que finda dizendo a respeito de todos
nós – afinal, todos temos na vida os nossos
“fantasmas”.
Para resumir, indo direto ao nosso
objetivo, temos o seguinte contexto: após a multiplicação
dos pães, o Mestre amado Jesus, compeliu seus
discípulos a embarcarem e passar para a outra
margem do mar da Galiléia. Ocorreu, então
uma separação temporária do Senhor
e de seus discípulos – Ele está
agora sozinho no Monte a orar, enquanto eles estão
em alto mar, enfrentando uma violenta tempestade!
A Escritura nos diz que: Ventos contrários
tornavam inúteis todos os esforços daqueles
habilidosos pescadores, e as ondas desafiavam toda a
perícia dos experientes navegadores.
Você já passou por isso
quem sabe uma dezena de vezes, não é mesmo?
Quem sabe neste momento está às rascas
com uma situação tempestuosa que desafia
toda sua habilidade para se sair de uma terrível
encrenca? As circunstâncias são de uma
turbulência incomum e, suas antigas manobras já
não parecem funcionar face a um problema de configuração
absolutamente nova e desconhecida? As grandes ondas
desdenham e os ventos contrários inutilizam todos
os seus melhores esforços? Finalmente, você
está aterrorizado porque sente que perdeu o controle
de “seu barco”, e ele é sua empresa
que está afundando, quem sabe é o seu
relacionamento ou pior, sua vida espiritual? Não
é sem razão que o apóstolo Paulo
fala em sua primeira epístola a Timóteo,
acerca de “alguns que naufragaram na Fé”
(I Timóteo 1:19) – Vigia na terra, crente!
Mas, deixe-me ir direto ao ponto nevrálgico
de nossa reflexão: Para piorar a situação
dos pobres e desalentados pescadores, eles acabam vendo
“um fantasma” vindo em sua direção,
que lhes coloca em um enorme desespero. (Mateus 14:26).
Só que, sabemos não se
tratar de um ente fantasmagórico, mas o misterioso
personagem que desafia a gravidade caminhando por sobre
as águas encapeladas, era Jesus!
Pense bem, amigo leitor: estamos diante
de dois tipos de problemas bem distintos;
1. A tempestade não
era uma alucinação, uma criação
meramente imaginativa – ela era bem real: precisamos
pedir a Deus equilíbrio, bom-senso, para que
possamos discernir o que é realmente um problema
real, e um problema imaginário. Não me
refiro aos que criam “tempestades num copo de
água”, percebendo as dificuldades por meio
de uma lente de aumento, dando às coisas simples,
alarmantes proporções. Falo sim, para
pessoas que estão realmente atravessando uma
borrasca, momentos de situações concretas,
que ameaçam levar a pique todos os seus mais
acalentados sonhos e projetos. Permita-me colocar alguns
dados a mais para sua reflexão:
a) Problemas reais, isto é,
concretos, devem ser combatidos com armas da mesma natureza;
quer dizer, precisamos lançar mão de recursos
práticos, eficazes para enfrentarmos as tempestades.
Lembrem deste princípio tão bem exemplificado
pelo Mestre da Galiléia? Ele disse: “O
que é nascido da carne, é carne, o que
é nascido do Espírito, é espírito
(João 3:6). Problemas nascidos da carne, resultados
de forças mecânicas, fisiológicas,
naturais, devem suscitar em nós o nascimento
de soluções, também de semelhante
ordem. Entende?
Não queira, portanto empregar remédios,
eminentemente espirituais, para tratar questões
que devem ter uma abordagem científica, material.
Não estou dizendo que não devamos orar
ou buscar a Deus acerca de problemas materiais que nos
afligem, antes devemos, sim buscá-lo, na esperança
de receber luz, direção, para tomarmos
a atitude certa e aplicarmos o melhor remédio
para aquela situação aflitiva. Está
com problemas na Justiça? Ore a Deus para que
lhe indique um bom advogado. Seu problema é dificuldade
de aprovação em algum curso profissional?
Busque a Deus para que Ele lhe dê direção
para que acerte com um bom professor, melhor curso,
melhores livros, etc.
b) Se seu problema foi diagnosticado
como uma dificuldade concreta, você deve tomar
algumas decisões, como por exemplo: Devo antes
mesmo de me aventurar indo para o mar, avaliar a estrutura
da minha embarcação, porque mares revoltosos
não são raros na vida – Preciso
igualmente, trabalhar para desenvolver minhas habilidades,
aprimorar minha competência, estruturar-me interiormente,
a fim de que esteja apto a navegar em mares tempestuosos.
Os ineptos, aqueles que não se preparam para
a vida em suas múltiplas facetas, vão
cedo naufragar, diante da primeira rajada de vento!
O surfista amador deve, no mínimo, ter bom-senso
para não tentar pegar algumas “tsunamis”,
além de sua competência...
Em determinado momento, o prudente marujo sabe que a
única coisa a fazer é manter o barco firme
numa direção, e esperar, afinal, tempestades
não duram a vida toda; elas vêm por um
período de tempo, e depois se vão. Você
me entende? Não perca a objetividade diante dessa
situação difícil em extremo: eu
tenho uma boa notícia para você –
Jesus está por perto! Procure, por mais custoso
que possa parecer, manter a lucidez, preservar seu equilíbrio
interior, ainda que por fora tudo pareça está
desequilibrado, fora de lugar, bagunçado pela
tempestade, ok?
Por outro lado, se você sente que o momento pede
que reme, a situação demanda ações
enérgicas, não faça “corpo
mole”, faça como diz o outro ditado “das
tripas coração”, e esforce-se ao
máximo; essa pode ser a melhor hora de pagar
o preço, reunir todas as suas energias e canalizá-las
para o porto de seus sonhos.
2. A tempestade era bem real, um problema
bem concreto, mas, o tal “Fantasma” não
era real, muito pelo contrário, era Jesus Cristo!
Reflita comigo sobre mais algumas coisas:
a) Já percebeu que os fantasmas
parecem ter uma predileção especial pelas
noites? Eles parecem fugir do calor do sol, da luz do
dia...
Observou, também que eles parecem surgir nas
situações em que estamos mais vulneráveis
ou assustados? Nos momentos de maior desequilíbrio,
nas horas de maior pânico, no auge dos nossos
desesperos... ei-los, vindo em nossa direção
bem no meio da noite escura. É claro que você
já notou que me refiro aos fantasmas de nossa
imaginação, criação particular,
projeções mentais, etc.
Uma tempestade num relacionamento pode levantar das
sombras de nosso passado, fantasmas de rejeições,
situações em que fomos traídos,
abandonados. O pior é que podemos não
estar sendo rejeitados ou traídos, mas nós
criamos nossos fantasmas, e passamos a tratá-los
como problemas concretos – e quantos relacionamentos
naufragam, começando com um dos parceiros vendo
problemas onde não existem e, findam por dar
concreção ao “ente ilusório”,
materializando uma mera imaginação, dando-lhe
existência concreta?
E daí por diante. Uma tempestade na vida financeira,
que estava tão bem equilibrada, pode suscitar
de velhas sepulturas, lembranças de uma falência
em investimentos realizados no passado ou na hora H
de bater um recorde nos esportes, podemos ouvir o “arrastar
das velhas correntes” de um malogro no passado
que vai nos assustar com uma insegurança capaz
de nos levar ao fracasso.
b) Recomendo-lhe que faça um
esforço para trazer esses fantasmas para a Luz,
permita que o sol de um novo amanhecer em sua vida espiritual,
emocional, financeira, dissipe todos os assustadores
espectros que ameaçam tirar sua paz.
Isso mesmo! Deixe que o calor da vida que anseia por
desabrochar em você, expulse toda a frieza dos
fantasmas que ameaçam congelar seus sonhos...
Jesus dá aos discípulos, assustados naquele
momento, algumas Palavras que são chaves capazes
de nos tirar dos calabouços frios, e partir as
correntes dos fantasmas ameaçadores: - “tende
bom ânimo”, isto é, nem pensem em
desistir! Sabe, amigo, que a palavra desânimo
significa “perder a alma”? (Gr.anima). Quer
dizer: não podemos perder a alma, o calor pela
vida, os impulsos que nos projetam para adiante, os
sonhos, ideais, encantos pelas provocações
que surgem em nossa caminhada histórica como
verdadeiros desafios que precisamos encarar e superar,
tende bom ânimo! Nada de entregar os pontos, nem
deixar que uma visão equivocada, difusa, nos
arraste às ondas do desespero, afundando nossos
projetos de vida.
Jesus prossegue Sou eu, não temais! Maravilha
das maravilhas! Ele vem ao nosso encontro para banir
os temores, dissipar as sombras, espantar os fantasmas
do medo. Como diz o velho e sempre atual hino sacro:
“porque ele vive, posso crer no amanhã
– porque ele vive, temor não há!”
A narrativa prossegue cheia de encantos e belezas, lições
substanciais a serem entendidas e vividas: ao descobrirem
que se tratava de Jesus, e não de um fantasma,
isto é, era a Solução e não
mais um Problema, o discípulo Pedro pede para
ir ter com o Mestre, caminhando por sobre as águas
– Mas sobre isso, falaremos em outra ocasião!
P.S.: Mensagem com temas semelhantes
podem ser encontradas em CDs. Entre em contato conosco
e adquira! Um abraço, amigo, e até a próxima!
Reverendo Darckson Lira
|